quarta-feira, 11 de março de 2015

PÁGINA 2 - TEMPESTADE


Acordo com o frio matinal infestando o meu quarto.


"Mais um dia de treinamento e muito suor"


Levanto-me ainda sentada na cama, me espreguiçando por um tempo razoável, e ponho os meus pés cobertos por minhas meias grossas no chão frio de madeira. Calço minhas pantufas felpudas que ganhei de aniversário do meu irmão no ano passado. Tudo que ele me dá, é com muito carinho. Ele viaja para o centro da cidade só para comprar um simples presente para mim, mas que no fundo, há um grande sentimento. Caminho até a cozinha e o avisto de quatro no chão da cozinha, retirando a pele de um veado.


- TY, NÃO! PARA ISSO! NÃO AQUI EM CASA! COITADOO! TYLEEER!!! - Ele levanta o rosto me avistando e com o braço direito retira uma quantidade absurda de suor em sua testa. Aqui, como é frio, você mal soa. Pelo jeito, esse animal não era pra ser morto de tão duro. Na verdade, nenhum é e nunca será.


- Não dava pra fazer isso lá fora, está tendo uma tempestade. Quase que não consegui caçar esse amiguinho aqui. - disse apontando para o animal, já com uns músculos retirados.

Nossa cara, que raiva. Por mim ele ficava sem comer, já tá acostumado mesmo. Mas, se há uma tempestade lá fora, como vamos treinar hoje? E o que eu vou comer? Aqui nós não temos estoque de comida e muito menos geladeira, por que não há energia.


"Energia Eólica? Cairia na primeira tempestade"


Bom, pelo jeito eu vou ser obrigada a ver ele devorando e apreciando o gosto da carne ou ficar em meu quarto escrevendo. Quando há tempestades, é o fim da picada, porque não há absolutamente nada pra fazer. Só botar o papo em dia.


"Por que eu não paro a tempestade? Porque ela é forte de mais pra controla-la, infelizmente"


O jeito é dormir, jogar cartas, revisar os procedimentos dos poderes, dormir, pensar, escrever, sonhar e dormir. Só, mais nada. E se há algo a se fazer, eu necessito de descobrir, porque eu não aguento mais essa vida. A minha vontade é de conhecer pessoas novas, visitar as cidades que nem o Ty faz, mesmo que seja poucas vezes ao ano. Quero ver rostos de pessoas novas. Não que eu não goste dos animais, mas essa vida solitária é repetitiva demais.

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